Os cinco maiores golpes amorosos aplicados pela Internet em 2021

Golpes em sites e aplicativos de relacionamento são bastante comuns na Internet. Criminosos aproveitam a vulnerabilidade e o interesse de pessoas que estão em busca de um parceiro para enganá-las e extorqui-las. Segundo o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI), fraudes envolvendo romance online resultaram em perdas de mais de US$ 133,4 milhões (aproximadamente R$ 759 milhões, em conversão direta) entre 1º de janeiro e 31 de julho deste ano.

No entanto, os prejuízos não são apenas financeiros. Em novembro, diversas ocorrências foram registradas após homens marcarem encontros por aplicativos de paquera. Em alguns dos casos, as vítimas sofreram agressões físicas e ficaram horas em poder de criminosos. Nós separamos uma lista com os cinco maiores golpes amorosos de 2021.

1. Catfishing

Nos casos de catfishing, o golpista finge ser outra pessoa com o objetivo de enganar vítimas para obter vantagens de vários tipos, sobretudo financeiras. Geralmente os enganadores criam perfis fake usando fotos de pessoas consideradas bonitas, o que atrai muitas vítimas.

O caso do jogador de vôlei italiano Roberto Cazzaniga é um exemplo de catfish. Ele foi enganado por uma mulher que usava as fotos da modelo Alessandra Ambrosio em sua identidade falsa, de nome “Maya”. A farsante conseguiu manter namoro a distância por 15 anos, durante os quais o atleta deu 700 mil euros (cerca de R$ 4,5 milhões, pela cotação atual) à golpista, que dizia ter problemas de saúde.

Como é de praxe nesse tipo de golpe, Valeria — nome verdadeiro da criminosa — sempre tinha uma desculpa para não encontrar a vítima pessoalmente ou mesmo fazer chamadas de vídeo. A trapaça chegou ao fim porque familiares do jogador entraram em contato com o programa de TV “Le Iene”, do canal italiano Mediaset, que desvendou o golpe.

2. Sextorsão

Sextorsão é um neologismo vindo do inglês sextorsion, termo que junta as palavras sex (sexo) e extortion (extorsão)A expressão foi cunhada para descrever golpes em que o criminoso chantageia a vítima, ameaçando expor fotos ou vídeos sexuais na Internet.

Nos casos em que existe um relacionamento virtual, os conteúdos geralmente são verdadeiros. Mas também existem situações em que hackers usam engenharia social ou outros métodos para convencerem as vítimas de que possuem fotos ou vídeos íntimos, quando trata-se de um blefe.

Em ambos os casos, o mais importante é não ceder à extorsão, uma vez que ela pode continuar mesmo após o pagamento. A vítima deve dirigir-se a uma delegacia e registrar um boletim de ocorrência. Há delegacias especializadas em crimes cibernéticos em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina, além do Distrito Federal.

3. Golpe de bitcoin em apps de relacionamento

Grande parte das denúncias recebidas pelo FBI em 2021 envolvem criptomoedas. O primeiro passo dos golpistas é contactar vítimas por meio de aplicativos de namoro, estabelecendo um relacionamento online em seguida. Ao ganhar a confiança da presa, o cibercriminoso diz que conhece investimentos em bitcoin ou outras oportunidades financeiras que dão lucros substanciais.

Logo, a vítima é direcionada para um site ou app fraudulento, onde investe determinada quantia. A plataforma simula um lucro e permite retirar uma pequena porção do dinheiro, fazendo com que a pessoa ganhe confiança na aplicação financeira. A partir desse momento, o golpista instrui a colocar grandes somas no negócio, mas a vítima não consegue mais fazer saques.

Quem cai no golpe é informado de que impostos ou taxas extras precisam ser pagos para que a retirada seja liberada. Existem casos em que um SAC falso é utilizado para dar mais credibilidade à fraude. Quando as vítimas param de efetuar pagamentos, os criminosos encerram a comunicação com elas.

4. ‘Golpe do amor’

Tendo como alvo mulheres entre 40 e 70 anos, o chamado “golpe do amor” fez muitas vítimas brasileiras em 2021. Nele, os golpistas pediam dinheiro sob o pretexto de que as vítimas tivessem acesso a bens e quantias em espécie supostamente retidos em aeroportos.

O pontapé inicial dos farsantes é começar um relacionamento online através plataformas de relacionamento. Eles fingem ser estrangeiros em altos cargos — como pilotos ou engenheiros — e prometem vir ao Brasil para visitar vítimas. Também dizem que querem enviar presentes, tais como celulares, computadores, roupas e dinheiro.

Existem outras histórias fictícias, como a que o golpista afirma ter uma doença grave e simula ter enviado seus bens ao país em questão. Em todas as versões, porém, uma pessoa finge ser funcionário da Receita Federal ou de uma transportadora para entrar em contato e afirmar que há uma mercadoria retida. Feito isso, a vítima é instruída a pagar uma taxa, com valores de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil, para que os itens sejam liberados.

É importante salientar que a Receita Federal não exige pagamento em espécie ou depósito em conta corrente para liberar itens. Todos os tributos são recolhidos por meio de Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais).

5. Golpe do falso encontro

Um dos casos mais graves é golpe do falso encontro, que tem homens como alvo principal. Nele, a vítima conhece alguém através de um app de paquera e marca um encontro. Ao chegar no local combinado, a pessoa tem seus pertences roubados e é sequestrado por uma quadrilha. Os criminosos obrigam vítimas a fornecerem senhas bancárias, realizarem transferências via Pix e pedirem empréstimos.

A prática veio à tona no último mês e tem ocorrido principalmente em São Paulo. Em um dos casos, a vítima chegou a fazer chamada de vídeo com a mulher com quem estava falando antes de marcar o encontro. A precaução não adiantou porque há muitas mulheres que fazem parte das quadrilhas, segundo alerta da Polícia Militar.

A principal medida preventiva é marcar encontros em locais públicos, como bares e shoppings, e deixar amigos ou familiares avisados. Também é importante obter o máximo de informações possível sobre os paqueras, o que implica em gastar algum tempo de conversa.

Com informações de FBINortonSaferNetNaked SecurityReceita FederalG1

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